domingo, 4 de fevereiro de 2018

o céu. e nada mais que as estrelas. que eram os teus olhos, a voar nos meus. o peito cheio a vestir-se de madrugada.
desce das dunas o cheiro a-mar. adormece na boca a palavra saudade, enquanto ficamos à espera que não seja tarde para acontecer.

[dizer-te] - trocamos sentimentos no lugar das palavras.   sem promessas feitas, a tornarem-se ocasos de lugares-comuns. o que nos damos está em todos os lugares, nos gestos, em todos os olhares, no encontrar dos corpos, na vida que sabe sempre acontecer. nestes regressos a nós.

human heart at the Mutter museum
come wander with me

há dias em que sou o alimento e o sumo doce da uva,
em que sei a largura dos ossos e a flexibilidade do arco.
às vezes, confundo a sombra dos objectos, a paisagem e os espelhos.
depois tento escrever sobre o pó e os símbolos que conheço e que não conheço.
há caligrafias internas e isso o que é (pergunto) e a noite e a metáfora e eu
apenas sei de vidros, da espuma nos talheres de que já te falei(...)
e pouco mais. há dias em que respiro muito pouco, sabes.
é apenas o músculo que separa o tempo
e entre as coisas está, às vezes, a alegria de tudo.

Susana Miguel

sábado, 3 de fevereiro de 2018

decompor a palavra.

es-ca-(ga)-ni-fo-bé-ti-co


"I am yours.
Don’t give myself back to me."

Rumi