quinta-feira, 9 de novembro de 2017

há dias em que se respira no avesso de um voo. em que o coração gira [entre mãos], enquanto se desconstrói o eu - na pele - à luz.
há dias em que uma mão invisível toma posse dos pulmões. e respirar é um tempo de silêncio.
há dias em que invento maneiras simples de te escrever. de estender o braço e ficar o teu corpo ao alcance da mão. como se cada gesto fosse uma história à espera de ser inventada.
há tempos de procura. do tempo em que rir era um impulso - como mergulhar- nas veias onde corre um mar imenso. das palavras por desenhar nos dias de ausência
e hoje é também isto.a casa que são as minhas mãos nos teus cabelos. as palavras que juravam voar quando soltas dos teus dedos. que se guardam na saudade que marca as linhas do rosto.
há dias em que não há lá fora
há, aqui. um tempo que se fez de novo lá atrás. onde corremos ao lado do vento
e se beija um poema no silêncio

(e só quem lá esteve entenderá)


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